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A
vida, que eu planejava,
perdi-a, quando criança.
E outros rumos fui seguindo,
como, em deserto arenoso,
o viajor, sem norte, avança.
E
outros rumos fui seguindo,
foram muitos e variados.
Julgava que os escolhia,
mas seus efeitos finais
vinham sempre malogrados.
Escapou-me, já
em criança,
a rota com que sonhara.
Tentei vãs alternativas,
defendi-as, mas, ao cabo,
só a primeira me era cara.
Como
em deserto arenoso,
arrastei-me, caminhante.
Correndo, de livro em livro,
fracassando nos amores,
à deriva, desde infante.
Cada
tarefa me trouxe
amarga, a desesperança.
Porque a vida, a verdadeira,
essa escapou-me, perdida,
das minhas mãos de criança...
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